P. U. T. A. – Precisamos Urgente Tratar do Assunto

Já pensou no significado que as palavras carregam?

 

Elas transformam uma ideia, um conceito, enfim, um abstrato em realidade. A palavra dá o poder de visualizar algo que antes não podia ser concebido. Em uma pesquisa um pouco mais aprofundada na internet, achamos diversos registros e teses embasadas de como as palavras impactam a formação do indivíduo. Um delas, foi elaborada pelo estudioso russo Lev Vygostky, relatando que quando uma criança se dá conta de que tudo possui um nome, cada objeto novo passa a ser reconhecido e e “taggeado”, levando consigo aquela etiqueta. Na falta de vocabulário, ela recorre a um adulto para se esclarecer.

 

E o que isso tem a ver com o assunto da matéria?

 

Durante a infância e adolescência, se uma mulher cresce com uma palavra constantemente atribuída a ela, este conceito é internalizado. Pode-se acreditar que é uma representação daquela palavra: Alta, magra, linda, puta, sapeca, vadia, namoradeira… Você escolhe.

 

Em um dos vídeos mais famosos da youtuber JoutJout, ela fala sobre relacionamentos abusivos. “Ele (o parceiro) já esfregou um guardanapo na sua cara para você tirar o batom que te deixa com cara de puta? Relacionamento abusivo”. O que mostra que, mesmo – e especialmente – depois de adultas, as mulheres continuam sendo bombardeadas com conceitos externos atribuídos a elas.

 

 

“Fulano me chamou de puta. Será que eu sou puta mesmo? Vai ver eu tenho cara de puta…” E o que seria isso? JoutJout fez essa pergunta a Jô Soares em uma entrevista. O apresentador perguntou se a amiga dela, que inspirou o vídeo, tinha a tal “cara de puta”? E o que é isso senão um conceito machista da aparência que se julga ter uma mulher que transa mais que as outras? Ou que transa por dinheiro, ou que transa mais do que se espera dela?

 

 

we can do it - preto e branco - machismo carnaval

 

 

A ressignificação das palavras é definida como um método neurolinguístico para atribuir novos significados a acontecimentos e palavras através da mudança da visão de mundo do indivíduo. Então, e se tudo bem ser puta? E se a palavra puta carregar um novo significado para as mulheres? Talvez queira dizer que uma mulher é segura de si e de sua sexualidade. Ou então que ela é independente, forte, poderosa. Pode ser um elogio, pode ser um novo adjetivo! Quem escolhe o que puta é, e que putas seremos, somos nós, mulheres.

 

 

Lílian de Alcântara é diretora do documentário Putta, que está dis-putando (com o perdão do trocadilho) prêmios em festivais por todo o mundo, ganhou um até na Romênia. “Eu gosto muito da palavra ‘puta’, saber que nas línguas latinas a palavra que designa a mulher do trabalho sexual é a mesma utilizada para “menina” me faz pensar muito sobre o quanto dividimos as mulheres em putas e não-putas. E, no fim, estamos todas limitadas pelos mesmos estigmas. Então, pra mim, puta é, antes de tudo, uma mulher, uma menina, uma pessoa do sexo feminino. Muito depois, uma forma de trabalho”, comenta. E também diz acreditar que a ressignificação das palavras pode sim mudar a sociedade em que vivemos, sobretudo a longo prazo. “Percebo uma enorme importância de entender as palavras que usamos e fazer o uso delas que nos interessa”.

 

 

Fica aí o convite para uma puta reflexão e um convite para que neste, e em todos os outros carnavais, você seja a PUTA que quiser.

 

#putasim