Ouça Rad Horror e agradeça a Deus pelo punk rock

O visual andrógino, meio Spiders From Mars e meio Robert Smith, engana quem vê Dylan Scott e sua banda independente, a Rad Horror, pela primeira vez. Quem ouve, acaba esperando as guitarras de Mick Ronson e a pegada de Marc Bolan, mas elas não estão necessariamente lá. A postura “i don’t care” da banda em suas letras, e até perante o público, remete aos Ramones e aos Pistols. Mas, ao conferir o som, os Johnnies Ramone e Rotten também não se fazem ouvir.

 

O que você encontra, no fim das contas, é um som new wave que te leva pro meio dos anos 80: FM’s, sintetizadores, teclados, fitas cassete tocadas em aparelhos de walkman. Mas isso nem importa: a banda já te ganhou antes mesmo de você escutar.

 

Direto de New Jersey, Dylan falou com o jornalista Felipe Senra para o luisareiff.com. Ele menciona suas convicções artísticas, as bandas que mais respeita, o processo de gravação do primeiro álbum da Rad Horror, “Before You Got Too Cool”, e as séries e desenhos animados que mais curte. Spoiler: como todo adulto desajustado que era criança nos anos 90, o cara é fã de Bom dia e Cia com Melocoton. Peraí, o roqueiro americano é fã de SBT?

 

Sim. Na entrevista abaixo você descobre como. Leia antes que você fique muito cool, porque a banda dele já é. Ou não leia, tanto faz, você não dá a mínima e, adivinhe só, ele também não!

 

rad horror

 

Felipe: Conhecemos o Rad Horror pelo Instagram e, antes de ouvir as músicas, duas coisas chamaram a atenção: a primeira foi a postura da banda (“ouça no Spotify ou não, tanto faz, você não se importa e, adivinhe só, nem eu”; “eu não quero ser seu namorado, foda-se você seus sapatos novos, eu não ligo “; ” eu vou viver no underground, eu não quero ser encontrado, eu sou um perdedor”), que é uma postura punk que não víamos no rock n ‘roll há muito tempo, e lembra Ramones e Pistols. O segundo foi o visual glam rock, tipo Bowie nos anos 70. Mas, ouvindo “Before You Got Too Cool”, fiquei surpreso ao ser apresentado a canções new wave que remetem a meados dos anos 80. Esta mistura de elementos fazem da Rad Horror uma banda autêntica no meio de tantas bandas puramente comerciais. Você acha que é possível para uma banda ser bem sucedida sem renunciar a suas convicções artísticas nos dias de hoje?

 

Dylan: Bem, em primeiro lugar, obrigado pelos elogios. Eles são muito apreciados. Para responder a sua pergunta, eu acho que é muito possível para uma banda  ser bem sucedida sem sacrificar sua integridade. A coisa mais importante é paciência e mentalidade, porque ninguém vai entender o que você está fazendo no início. É um caminho muito mais longo para o sucesso quando você mantem a convicção artística, mas uma vez que as pessoas sacam, você será muito feliz porque você esperou por esse momento. Não há nada mais importante do que sua integridade.

 

Dylan Scott

 

Felipe: Apesar do som new wave, você parece ser influenciado por bandas de punk rock. Quais são suas maiores influências musicais e que bandas você mais respeita no rock n ‘roll?

 

Dylan: Sim, eu cresci ouvindo música punk, então eu uso consistentemente no que eu faço. O aspecto new wave vem de The Cure, que me foi apresentado por meio da Alkaline Trio ainda criança. Minhas maiores influências e pessoas que eu respeito muito são Bruce Springsteen, The Ramones, Tom Petty, Brand New e Led Zeppelin.

 

 

 

Felipe: Você curte muito a cultura pop dos anos 80 e 90. Quais são seus filmes, desenhos animados e séries favoritos?

 

Dylan: Sim, curto muito essa cultura! Eu tinha uma irmã mais velha que estava muito enraizada nela e acabou me influenciando. Alguns filmes favoritos dessa época seriam Empire Records, Girl Interrupted, American Beauty, Reality Bites. Desenhos e programas de TV seriam Arthur, Três é Demais, Um Maluco no Pedaço. Rugrats era legal pra caralho também. E minha namorada é de São Paulo, então eu também gosto de Bom Dia e Cia com Melocoton, hahaha!

 

 

Felipe: “Before You Got Too Cool” é o primeiro álbum? Como foi o processo de gravação?

 

Dylan: É a primeira coisa que gravamos. O processo de gravação foi bastante simples. Eu produzo tudo sozinho e às vezes escrevo com amigos próximos. Então, se necessário, eu vou para outro estúdio para gravar bateria e guitarras reais para dar o som da banda completa. É um processo muito divertido. Eu amo gravar e assistir a algo novo nascer no mundo.

 

 

 

Para saber mais:

IG: @dylanjacksonscott 

IG: @radhorror 

 

Twitter: @dylanscott 

Twitter: @radhorrorband

 

Ouça tudo no Spotify: Rad Horror