Avisa quando chegar – Malalai

O mundo é um lugar violento e a população feminina sabe bem disso. Esta violência aparece de formas diversas e as idas e vindas na hora de circular pela cidade são um exemplo dela. A frase “me avisa quando chegar”, proferida por mães, amigas, namorados, irmãos, maridos e esposas é um sintoma de que o “ir e vir” é sim um momento de risco.

 

 

Uma mulher divulgou nas redes sociais, através da campanha #MeuPrimeiroAssédio, que havia sido violentada pelo taxista que a atendeu. Ele desviou da rota e, junto de um segundo homem, estuprou a passageira que deveria levar para casa. Mas, e se alguém estivesse acompanhando o caminho dela? E se houvesse uma forma rápida e eficaz de pedir socorro? E se, virtualmente, alguém estivesse viajando junto dela?

 

Foram estes questionamentos que levaram a arquiteta Priscila Gama a desenvolver um aplicativo que pudesse evitar estes crimes. A CEO do app Malalai trabalhou em conjunto com outros três colegas, Henrique Mendes, Jaqueline Costa e Anna Clara Pessoa no desenvolvimento de uma alternativa que pode mudar o final de muitas histórias de abuso.

 

Através do app, a usuária (aqui, em gênero feminino, porque a ideia foi concebida e desenvolvida visando especificamente esta população – mas sem excluir nenhuma outra) solicita o acompanhamento de um contato de segurança, denominado Keeper. Ela pode cadastrar até três contatos e eles também podem ser alterados a qualquer momento.

app malalai

 

O keeper pode recusar ou aceitar fazer o acompanhamento da rota durante o caminho a pé, de taxi, ônibus, Uber, carona ou como for. “A solução é esta justamente porque a autonomia e liberdade são umas das principais bandeiras da startup”, explica Priscila.

 

Além do acompanhamento virtual, também foi desenvolvido um hardware de segurança que, ao ser acionado, envia uma mensagem de alerta para o Keeper solicitando socorro e especificando a localização da usuária. A partir daí, o Keeper deve entrar em contato com a polícia que, por enquanto, não trabalha em parceria direta com o Malalai. Priscila explica que “Atuamos em três frentes. Trabalhamos a prevenção e o conforto cognitivo (sensação de segurança) no aplicativo e, no hardware, a emergência. Para prevenção, as mulheres poderão marcar em mapas, pontos em que se sentiram vulneráveis, gerando um mapeamento colaborativo de rotas de risco. Para conforto, ela pode solicitar a companhia virtual de alguém de sua confiança. Para emergência, um hardware que pode ser usado como colar, chaveiro ou bottom”.

 

A versão beta para Android será lançada no próximo mês e será gratuita a princípio. Para Iphone ainda não há previsão. “Os valores ainda serão validados, mas o hardware terá um custo bem menor que o smartphone mais simples presente no mercado”, adianta. Como há dependência de armazenamento em nuvem, são cautelosos para que não haja falhas por excesso de informação no servidor. Sobre a quantidade de downloads, ela reforça que “Embora o foco sejam as mulheres, acreditamos que outras pessoas que se encaixam em perfil de alta vulnerabilidade utilizem a solução. Esperamos um grande número de downloads e estamos nos preparando para isso”. Por enquanto, o foco de uso é a região sudeste, mas a cobertura será ampliada conforme o app for sendo atualizado.

 

 

Sobre o nome Malalai

 

O nome é uma raferência e homenagem à Malala Yousafzai, paquistanesa que sofreu um atentado do Talibã por defender o direito de meninas e mulheres à educação.

 

 

malala

O que poucas pessoas sabem, é que a Malala foi assim chamada em homenagem a uma outra heroína: MALALAI Maiwand.

MALALAI foi para a guerra cuidar de feridos, mas ao ver o porta-bandeira de seu país cair e notar a eminente derrota dos afegãos, marchou em campo, frente as tropas e cantou. A guerreira foi morta pelos soldados britânicos mas, segundo a tradição pashtun, foi ela que, com suas palavras de inspiração e ato de coragem, quem estimulou seus compatriotas à vitória.

Tanto Malala, quanto MALALAI são nomes de grandes mulheres, que nasceram e foram criadas em sociedades cujas mulheres sofrem com a falta de autonomia e igualdade de gênero. Elas, indo contra estereótipos e barreiras sociais, conseguiram desafiar e lutar no ambiente hostil em que estavam inseridas. Ambas são mulheres que, agindo com coragem, força e determinação, fizeram a diferença. Percebe a força que esse nome tem?

Priscila Gama

 

www.malalai.com.br

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